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Gula! Uma storytelling sobre o mundo corporativo

Tive prazer de conhecer também Ronaldo.

Ronaldo era um homem bonito, de porte atlético, que gostava de cuidar da aparência, ia à academia, tinha um bom guarda-roupa e só usava roupas de grifes caras.

Estava, na casa dos seus 35 anos, solteiro, não tinha nenhuma namorada fixa, sempre com uma ou outra mulher, não dava conta de se relacionar, de se envolver com ninguém.

Ronaldo era a piada do setor de Suprimentos, tinha uma equipe de dezoito (18) pessoas que faziam tudo o que ele pedia, para não contrariar as ordens do chefe, no fundo morriam de medo, mas não falavam nada. Havia relatos de pessoas que saiam da sala chorando e se sentindo as piores pessoas do mundo quando Ronaldo ia dar um feedback ou mesmo rever um trabalho. Era comum denuncias dos empregados sobre a tratativa de Ronaldo para com eles.

Nascido em uma família pobre do interior de Goiás, Ronaldo era arrimo de família e ajudava todos da sua casa, mas tinha alguma coisa lá que não era do agrado de Ronaldo, ele se mostrava sempre distante dos assuntos familiares e as visitas só aconteciam no final do ano e nem sempre.

Ronaldo era extremamente competitivo, nas reuniões gerenciais que ele participava sempre competitivo com seus pares e colegas, e sempre se gabando por sua inteligência acima da média. Ronaldo estava enlouquecido para ser promovido e não dava espaço para ninguém, não ajudava, não contribuía, só pensava em si e na sua promoção.

O que Ronaldo não entendia era o motivo de outras pessoas serem promovidas e ele não, afinal de contas ele sempre se responsabilizava por todos os trabalhos extras da área. Ronaldo queria tudo para ele, não gostava de dividir nada, nenhum trabalho com seus pares e colegas.

Era voraz quando o assunto era promoção, corria atrás de promoções e méritos. Parecia que seu sucesso profissional estava ligado exclusivamente a méritos, promoções e ganhos financeiros acima da média.

O que faltava em Ronaldo era inteligência emocional… Ele não fazia ideia de como seu comportamento guloso o prejudicava em seu ambiente profissional e por se comportar dessa forma nunca era promovido e os méritos eram esporádicos. Mas mesmo assim, mesmo com tantos feedbacks claros, objetivos e baseados em fatos e dados Ronaldo não aprendia.

A gula no ambiente corporativo pode ser traduzida por ambição em excesso, por um desejo de ter tudo sem pensar nas outras pessoas. Pode ser entendida também por um excesso de ambição intelectual, por querer aprender tudo que está a nossa volta sem considerar os outros a nossa volta. Como Ronaldo que não dividia conhecimentos e atividade com seus pares e colegas e sempre cobrava em excesso da sua equipe de trabalho, tentando leva-los a patamares que para muitos não eram alcançáveis. O que Ronaldo não entendia era que sua gula influenciava tanto nos relacionamentos quanto na produtividade dos outros profissionais e fazia com que sempre perdesse espaço no ambiente corporativo.

Ambíguo, não?!

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